A Coragem de Não Agradar - Parte 5 de 5
Confira a análise do quinto capítulo de “A Coragem de Não Agradar”. Descubra um fantástico caminho para a liberdade, a felicidade e relacionamentos mais autênticos.
Quinta Noite - Viva intensamente no aqui e agora
A busca de superioridade representa o impulso humano pela superação e pelo desenvolvimento, acompanhada de forte interesse social (gemeinschaftsgefühl). Quando desvirtuado, esse esforço favorece o desenvolvimento do complexo de superioridade. Sua manifestação se percebe no exagero das próprias capacidades como fuga da realidade e proteção da imagem idealizada.
Por outro lado, a ausência de autoconfiança pode desencadear uma autoconsciência excessiva, levando a críticas exageradas a si mesmo, falta de espontaneidade e de iniciativa. A grande transformação consiste em assumir a postura de que ser uma pessoa comum não implica ser medíocre.
A diferença entre autoafirmação e autoaceitação está na dependência do reconhecimento externo. Enquanto a primeira depende dele, a segunda o dispensa. A “resignação ativa” não se confunde com uma conformidade passiva. Ela favorece a aceitação dos fatos como ponto de partida para a ação. Desse modo, a separação de tarefas é o conceito em torno do qual orbitam todos os demais.
Na perspectiva das relações, quem exige garantias e condições preestabelecidas não confia, por isso visa eliminar qualquer possibilidade de prejuízo. Quando se desenvolve confiança incondicional, a cooperação é mútua e voluntária, baseada no respeito e na empatia. Essa é a dinâmica dos relacionamentos horizontais que se transformam em fonte de pertencimento e realização.
Muitas vezes transformamos um problema específico na justificativa para evitar o enfrentamento das demais tarefas da vida. Nessa perspectiva, a concentração da atenção fundamenta a fuga de outras responsabilidades – uma conversa difícil, por exemplo. Há, portanto, carência da harmonia de vida.
Enquanto a necessidade de autoafirmação existir, o indivíduo não se sente livre; e sem liberdade não há felicidade. Se os relacionamentos são fonte de alegria, os frutos dessa dedicação ao coletivo alcançam a todos. O indivíduo percebe sua utilidade e aceita seu valor existencial. Nesse sentido, liberdade e cooperação são fundamentos da felicidade.
Para interpretar a dinâmica da existência, os autores recorrem à distinção de dois conceitos aristotélicos. A vida cinética (do grego kinesis) estabelece que a felicidade está no alcance do objetivo. Na vida energética (do grego enérgeia), o valor da existência encontra-se na própria atividade. A vida acontece em uma sucessão momentos; dito de outra forma: a estrada é o próprio destino. O aqui e o agora precisam carregar em si a completude de uma vida inteira. O passado encerrou seu ciclo e o futuro ainda não chegou; ambos, porém, podem tornar-se a desculpa perfeita para não vivermos o presente com intensidade e consciência.
Os autores sintetizam um dos princípios centrais da Psicologia Individual de Adler na premissa: “se eu mudo, o mundo muda. Ninguém mais mudará o mundo para mim.” Essa ideia, com reverberações estoicas, enfatiza que cada um é responsável pela própria transformação. Portanto, não importa como os outros vão percebê-la, pois, de algum modo, todos serão inevitavelmente impactados pelo valor dessa contribuição.
Você sente que está adiando sua felicidade ou procura real significado em tudo o que faz?
By Ednaldo Teixeira
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