Introdução a Jung e o Caminho da Individuação
Conceitos para aprofundamento no caminho de individuação proposto por Jung.
“STEIN, Murray, Ph. D., é analista e supervisor de treinamento e ex-presidente (2001 a 2004) da Escola Internacional de Psicologia Analítica em Zurique, Suíça (ISAP Zurique). Tem mais de dez obras publicadas em vários idiomas, entre elas: Jung: O Mapa da Alma – Uma Introdução, best-seller publicado pela Editora Cultrix. Palestrante de renome internacional, seus temas sempre giram em torno da Psicologia Analítica e suas aplicações no mundo contemporâneo. É editor emérito da Chiron Publications e ponto de referência para muitos seminários on-line do Asheville Jung Center.”
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Introdução
Não construímos nossa personalidade intencionalmente, da mesma forma que as características das comunidades humanas não são fruto de desenvolvimento consciente e racional; antes, sustenta Stein, resultam da interação de fatores e determinantes históricos.
Nossa identidade ou estilos de personalidade resultam de uma rede de componentes reunidos no self (ou si mesmo), constituído de uma identidade consciente e uma combinação de conteúdos inconscientes. Nele, ocorre a integração dinâmica e permanente dos níveis somático, psicológico e espiritual do ser nos níveis individual e coletivo.
Individuação
Para Jung, a individuação pode ser compreendida como o processo psicológico profundo relacionado à descoberta, interpretação e integração de conteúdos psíquicos de modo a tornar o indivíduo único, autônomo e capaz de desenvolver plenamente seu potencial humano.
O processo de individuação é apresentado por Stein como uma ferramenta que “oferece um modo de compreender e interpretar mudanças na psique individual e coletiva” e sugere “um método para aumentar e desenvolver a consciência humana ao seu máximo e pleno potencial”. Como resultado, emerge um ser humano consciente de quem é e do que é, vislumbrando um horizonte de autocompreensão e plenitude (anima mundi).
Individualização
A individualização refere-se aos aspectos superficiais de distinções externas e sociais concentrados no ego e na persona. A hiperidentificação do indivíduo com essas representações psíquicas favorece o desenvolvimento de comportamentos excêntricos e egoístas, muitas vezes inconscientes.
Arquétipos
“O arquétipo representa essencialmente um conteúdo inconsciente, o qual se modifica através de sua conscientização e percepção, assumindo matizes que variam de acordo com a consciência individual na qual se manifesta.” JUNG, Carl Gustav.
“Os arquétipos são os padrões instintivos de comportamento do psiquismo objetivo.” (SERBENA, Carlos Augusto; Pepsic).
Representações Arquetípicas
As representações arquetípicas são imagens e correspondências pelas quais os conteúdos arquetípicos se manifestam através do inconsciente. Atuam como a tradução de uma ideia abstrata, assumindo formas como símbolos, mitos, personagens e imagens.
Exemplo: O herói é a representação arquetípica. O arquétipo é a força motriz da coragem e da superação.
Inconsciente coletivo
O inconsciente coletivo pode ser entendido como a dimensão mais profunda da mente humana. Seu conteúdo não consiste de experiências individuais ou memórias pessoais. Constitui-se de uma herança universal de disposições psíquicas e sentimentos comuns a toda a humanidade ao longo da história.
Experiência Numinosa
A palavra “numinoso” foi criada pelo teólogo e filósofo alemão Rudolf Otto para descrever a essência da experiência do Sagrado, profunda e não compreendida de forma racional. Derivada do latim numen, o termo associado à presença e ao poder divino passou a designar a experiência marcada pelo encontro com o misterioso, fascinante e capaz de provocar temor e reverência. A experiência numinosa, portanto, é a experiência sagrada vivenciada no contexto das religiões, mas não exclusivamente em suas formas institucionalizadas.
By Ednaldo Teixeira
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